Mensagem - Joanna de Ângelis
Meus filhos.
Enquanto a Terra emerge em aflições de difícil catalogação e a dor parece o lugar-comum de todas as coisas, pairam no ar as esperanças novas que prenunciam estados de paz que certamente nos chegarão logo mais.
Ainda ontem, estribados nas difíceis e frágeis rédeas do poder, deixamo-nos afetar por ambições desmedidas e naufragamos dolorosamente no mar encapelado das paixões.
Encontramos a labareda da fé em igrejas que triunfavam no poder e na forma e nos deixamos asfixiar pelas forças deletérias das iniquidades, comprometendo-nos e comprometendo a própria fé.
Logo após, fascinados por longas inquietudes sem-nome e sem roteiros, nascemos e renascemos em diversos avatares sem lograr o êxito da paz nem a harmonia do amor para o próprio Espírito atribulado...
...Recomeçamos, agora, sob as luzes novas do Evangelho Restaurado, para nos reabilitarmos, ensejando ao Espírito jornaleiro o pão da felicidade e a rota da segurança de que não podemos prescindir.
Dilatam-se-nos os horizontes da vida, e os compromissos reaparecem em forma de trabalho que surge discreto, e que se agiganta, conduzindo-nos à diretriz segura da nossa felicidade real.
Certamente, para lograrmos o desejo a colimar, muitas lutas nos assinalam e nos fazem sofrer. São as lutas do pretérito remoto e próximo que surge e ressurge, chamando-nos a atenção para o trabalho de renovação interior, renovação essa que nos estabelecerá as bases do equilíbrio que nos falta.
No entanto, essas lutas não se fazem apenas no plano físico, senão e principalmente no plano espiritual. Inimigos de ontem que retornam vestidos de adversários da nossa paz, a seguir-nos vigorosos, produzindo dores e choques nos sensíveis departamentos de nossas vidas; outros, ainda desencarnados, intercambiam, gerando lutas e pelejas dolorosas, ferindo as mais delicadas fibras do sentimento e marcando profundamente as nossas atividades evolutivas...
Em razão disso, é justo que oremos oferecendo os melhores recursos à comunhão com a Espiritualidade superior.
Evidentemente, o trabalho de nossa reestruturação apenas começa.
Refazer o caminho nos exige o esforço do suor e das lágrimas que somos constrangidos a verter como contribuição da nossa efetiva participação no Programa Divino.
Nada nos acontece ao impacto caprichoso do acaso, gerando acontecimentos necessários à própria vida. Vinculados ao programa da Esfera mais alta da vida, seguimos a rota antes trabalhada com insucesso e agora recomeçada sob novas injunções que nós mesmos solicitamos.
Diante, portanto, das dificuldades vencidas e a vencer, só a dedicação eficiente à Causa nos permitirá o êxito no empreendimento encetado com Jesus.
Em razão disso, Jesus significa a nossa mais nobre aspiração do momento. Atar-nos a Ele dos mil modos imaginados é dever que, para a nossa felicidade, não podemos adiar.
Envidemos, portanto, meus filhos, os melhores esforços para a produção do melhor ao nosso alcance e não nos deixemos inquietar pelas inquietações nem perturbar pelas perturbações naturais que passam em todos os departamentos da vida.
A intensidade da luta revela o valor dos contendores. Se a batalha é terrível, significa que as nossas fracas forças se fazem poderosas e oferece mais energia para continuarmos, já que o Comandante é o Mestre Amigo e Devotado que há muito nos segue em socorro, colocando em nossas mãos os instrumentos de amor da nossa felicidade.
Tenhamos confiança, filhos, e avancemos. Haja o que houver, estamos vinculados por fortes liames do passado.
O ontem é o pórtico do caminho por onde começamos a jornada. E o amanhã será o ancoradouro feliz ou desventurado onde colocaremos as tarefas realizadas ou recolheremos os desencantos reunidos.
Quando as tribulações nos parecem maiores, e os desassossegos, mais vigorosos, confiemos que Ele vela e está ao nosso lado.
Esqueçamos sombras, enfermidades e decepções para nos lembrarmos de que a noite estrelada oscula o vale que se abrirá em perfume logo depois, com a chegada da madrugada, tanto quanto a fertilidade do solo está na dependência do húmus nauseante que se espalha pela terra.
Todas as dificuldades e testemunhos são, pois, as dadivosas contribuições da vida para a fecundidade do nosso espírito.
Avancemos no amor e aguardemos que o amor nos coroe o espírito, ou mais tarde, com as flores dadivosas do bem incondicional.
Rogando a Jesus que nos abençoe e guarde, a servidora humílima e maternal,
Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
em Buenos Aires, Argentina, em 1º.5.1969.
em Buenos Aires, Argentina, em 1º.5.1969.
© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014