Canção da Imortalidade I - Joanna de Ângelis

 

A vida física é um processo evolutivo para o Espírito que se veste de matéria para as experiências necessárias à sua iluminação.


Dessa forma, cada existência carnal constitui abençoado ensejo para o desenvolvimento dos sublimes tesouros que dormem em germe no ser.


Passo a passo desperta a essência divina de que todos se constituem, em razão da sua gênese que é o amor de Nosso Pai Celeste.


Mediante os pensamentos, palavras e atos praticados, edificam-se as futuras jornadas, sempre decorrentes das anteriores, qual acontece em uma classe de estudos, cuja promoção para nível superior sempre depende de aprendizagem adquirida.


Quando ocorrem descuidos e deslizes morais, comportamentos insalubres e agressivos que perturbam a marcha do conhecimento, é estabelecida a necessidade da repetição do currículo, a fim de que venha a constituir alicerce para o somatório de novas informações.


De igual maneira ocorre na aquisição dos inestimáveis recursos intelectuais e morais, que faculta ao Espírito ser o autor da felicidade ou da desdita que lhe assinala a caminhada no rumo da perfeição.


Não existem exceções nos Códigos Soberanos da Divina Justiça, todos experimentam os mesmos desafios, graças aos quais apresentam-se portadores de diferentes níveis de consciência e de desenvolvimento ético-moral.


A imortalidade é, portanto, a meta a atingir através das sucessivas reencarnações, que são os diferentes degraus a conquistar, na simbologia da bíblica escada de Jacó, que conduz ao Infinito.


Em razão, portanto, do impositivo de crescimento para Deus, cabe a cada criatura o esforço para desembaraçar-se das paixões primitivas que a mantêm na ignorância e na sensualidade por onde transitou, adquirindo outros valores de natureza enobrecida, que lhe facultarão a harmonia interior, a saúde e a coragem para a luta incessante.


A morte física, em consequência, é um fenômeno biológico natural que alcança apenas a forma, o invólucro material que é deixado após o seu uso, prosseguindo a vida em outra dimensão e vibração de energia, na condição de princípio inteligente, que é o Espírito imortal.


Necessário que se considere a inevitabilidade da desencarnação, pensando diariamente na sua ocorrência, a fim de que não se seja surpreendido quando se der.


Distraído pelas sensações do corpo, o Espírito apega-se à matéria e às suas concessões, permite-se fixação perturbadora, de que terá que se libertar, não raro, a contributo do sofrimento, mediante a perturbação que o assalta além das fronteiras carnais.


Estás destinado à plenitude ou reino dos Céus, conforme a promessa de Jesus.


Não recalcitres ante o impositivo das Leis, que nem sempre respondem como gostarias aos apelos aflitivos durante o trânsito carnal.


Mergulha o pensamento e a emoção nas páginas libertadoras do Evangelho de Jesus, a fim de que possas insculpi-las na conduta diária, utilizando-te das mesmas como metodologia iluminativa ante as circunstâncias obscuras do período existencial.


Nada te acontece por acaso, por capricho do destino.


O teu é o destino reservado aos triunfadores, que somente depende de como te comportes e desejes.


Desde que compreendes a Lei de amor a que Jesus se referiu e viveu, mais facilmente enfrentarás os problemas que te surgirão à frente e os transformarás em lições de sabedoria.


Enquanto os insensatos desesperam-se ante as ocorrências mais desagradáveis, entregam-se à revolta e à blasfêmia, como se fossem eleitos e incorruptíveis,  que não merecessem passar pelos mesmos caldeamentos a que todos estão sujeitos, permanece fiel ao dever, com paciência e coragem, de modo a enfrentares todas as vicissitudes com a alegria de alguém que se liberta das dívidas adquiridas anteriormente.


Jamais consideres que sofrimento é infelicidade ou desgraça, já que sabes que somente és chamado a resgatar compromissos que foram desrespeitados e atitudes que foram praticadas em agressão aos códigos do Bem.


Na transitoriedade terrena, todas as dores logo passarão e deixarão as marcas abençoadas ou afligentes que decorram da maneira como as enfrentares.


Desgraça real é o mal que possas fazer, são as atitudes de soberba e de ressentimento que cultives, as agressões e rebeldias que já não devem fazer parte da tua existência.


Da forma como te preparas para qualquer realização futura, também organiza-te para que a morte, quando chegar, te encontre rico de valores e de paz, não te causando qualquer tipo de aflição ou de choque.


Além do túmulo, continuarás conforme te encontras, dando prosseguimento aos compromissos abraçados, que não serão interrompidos, porque a vida estende-se além das vibrações do organismo físico.


Poderás continuar amando aqueles que ficarão na retaguarda, ajudá-los-as no crescimento pessoal, de modo que o amor continuará lenindo a saudade que, de alguma forma, é uma expressão de ternura que o afeto coloca no ser.


*   *   *


Não te desesperes ante os seres amados que a morte arrebatou momentaneamente do teu lado.


Eles prosseguem vivendo e cantam o hino da imortalidade.


Faze silêncio interior para ouvir-lhes as vozes, sentir-lhes as emoções, orares com eles e cresceres também no rumo da espiritualidade.


Eles te esperam com imensa alegria, porque sabem quão rapidamente passa o período orgânico na Terra.


Ora por eles com gratidão por tudo quanto te significam e os envolve em carinho, pois que o amor é a presença de Deus em todo o universo.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
em 30 de agosto de 2013, no
Centro Espírita Caminho da Redenção,
em Salvador, Bahia.
Em 29.5.2026

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